O Papel da Morfologia no Ensino e Pesquisa nas Áreas das Ciências e da Saúde

02/09/2011 16:07

 

            Pretendemos que o presente trabalho tenha um caráter educacional e não uma crítica às medidas e linhas de pensamento existentes na atualidade dentro de Instituições de Ensino Superior, assim como, em agências financiadoras e órgãos governamentais de nosso país, ligados à Educação. Devemos estar atentos em relação ao progresso e fazermos esforços para acompanharmos o desenvolvimento das ciências e equipararmo-nos aos países mais avançados.

            Os países jovens e seus pesquisadores devem sempre se esforçar por atingir o estado cultural dos mais desenvolvidos. Devemos tomar cuidado com indivíduos que são levados à posição de orientadores intelectuais da nação e querem simplesmente transplantar experiências de um país para outro ou se tornam especializados em determinadas áreas que passam a ser prioritárias com descaso total para com os alicerces, as bases dos conhecimentos em determinadas áreas. Aqui estamos enfocando a área das ciências biológicas e da saúde e, em particular, a Anatomia.

           

            Anatomia, que pela aquisição de conhecimentos científicos, práticos e éticos tornou-se uma ciência "da conformação, da construção e do valor funcional do corpo humano" (R. Locchi).

           

            Os primórdios da Anatomia recuam para épocas primitivas da existência do Homem, pertencendo à pré-história; mas ela deverá necessariamente estar sempre presente. Um problema fundamental do sistema educacional atual consiste na falta de formação básica, o desprezo sistemático pelas coisas mais simples. A decadência, durante séculos, da medicina que se seguiu à Antiguidade e, em particular, na Idade Média, está ligada também à paralisação, à decadência da Anatomia. A restauração da Ciência Médica, partindo da Itália, inicia-se com novos conhecimentos sobre a estrutura anatômica do corpo humano.

            O ressurgimento da Medicina é caracterizado pela ação de grandes anatomistas, Vesalius, Eustaquius, Fallopio, Geronimo, Fabricius, Sylvius, Harvey e tantos outros. Sem dúvida, partiu da arte de curar o impulso principal para a coleção de conhecimentos anatômicos.

            A biologia celular e molecular e a genética moderna devem ser incentivadas, têm dado novos rumos para a Medicina, mas não podemos abandonar a velha Anatomia que faz parte da formação com base larga. A visão morfológica representa a base de todo o conhecimento médico.

            A Anatomia representa a base segura para a fisiologia, patologia e, é incompreensível o aprendizado da Medicina Clínica ou Cirúrgica, sem a base larga e segura da Morfologia. Ainda é importante a observação direta com os olhos, responsáveis por cerca de 80% do nosso aprendizado, da aquisição de conhecimentos.

            Estamos passando por uma fase de plena falta de valorização da Anatomia quando, por exemplo, em relatórios de órgãos governamentais encontramos uma frase como esta "a Anatomia é área decadente, sem imaginação e ultrapassada".

            Com o avanço da tecnologia, a Medicina também se beneficiou, com novos procedimentos de prevenção, de diagnóstico e de tratamento. A Morfologia, macro, micro e ultra-microscópica, vem acompanhando esta evolução. Enfocamos, também, a Anatomia Aplicada fornecendo informações (pesquisa) através de detalhes anatômicos até então desconhecidos.

            A Anatomia ampliou o seu leque de temas para a pesquisa, quase sempre respondendo aos reclamos da clínica e da cirurgia.

             Vamos parafrasear o Prof. Alfonso Bovero que sempre dizia:

 

"a Anatomia nunca foi e jamais será o galho seco da Biologia".

 

 

Prof. Dr. José Carlos Prates
Professor Titular da UNIFESP-EPM
Professor Titular da UNISA
Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Anatomia 1986-1990 e 1994-1998
Membro Titular do Conselho Fiscal da SBA